Travessia Rebouças x Mauá via Rancho Caído – A mais bonita do Parque Nacional do Itatiaia PNI

O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) possui diversas travessias para explorar seu território, mas, de longe, a Rebouças x Mauá via Rancho Caído é minha preferida! Nela você cruza o parque da parte alta para a parte baixa, passando por paisagens de altitude, com diversos picos, como o Agulhas Negras, Pedra do Altar e Pedra do Sino, vendo imensos vales, como o dos dinossauros, e ainda pode tomar banho em águas congelantes na Cachoeira Aiuruoca e Escorrega de Maromba.

Na trip de Monte Verde (veja o relato), o Clóvis me convidou para fazer essa travessia. Fiquei com receio em fazê-la por causa do meu recente retorno às trilhas depois de cirurgia bem complicada de viesícula, mas o apoio do Clóvis foi fundamental para eu aceitar! Então, na sexta, fui trabalhar com a minha pequena cargueira nas costas, não conseguia desviar nenhum olhar por onde passava! E no final da tarde saimos de SP eu, Clóvis, minha parceira Letícia, Renato com quem fui ao Marins, e o Rogério que conheci ali na hora. O Michel desistiu de última hora, assim como a maioria. Chegamos em Itamonte umas 23 hr, onde paramos numa cantina italiana, e com o bucho cheio seguimos para a cabana do Clóvis, no alto do começo da Serra do Papagaio.

Combinamos de encontrar com o Amarildo às 7hr (Cel 035-91297522), que ia nos levar até o parque e depois fazer nosso resgate no final da travessia e nos trazer de volta a Itamonte, então nos arrumamos rápido, entramos na caminhonete do Clóvis que amanheceu com pegadas de onça no párabrisas e fomos para o centro de Itamonte. Para variar, o cara não estava lá. Ligamos e ele disse que tinha perdido a hora. Como recompensa, ele nos levou até o acampamento rebouças no PNI, sendo que antes nos levaria até a entrada do parque. Mas o atraso dele de 20minutos não impactou muito, já que lá no PNI ficamos impedidos de entrar pois não tínhamos levado o código da reserva. Só depois de conseguir um sinal de 3G e pegá-lo no e-mail é que pudemos seguir, isso já próximo das 10hr.

 

Tivemos dificuldade em encontrar alguém para fazer nosso resgate com um valor agradável… mas não teve jeito e aceitamos pagar R$500 para nos pegar na Vila de Maromba e nos levar de volta a Itamonte. Depois entendemos o porquê de ser um valor tão alto: é chão pra caramba! Foram quase 2hr de viagem! Outra opção seria descer a pé pelo vilarejo de Maromba para pegar um ônibus para a rodoviária mais próxima.

Para quem tem interesse em fazer essa trilha, é necessário pedir autorização e reservar vaga no acampamento Rancho Caído (e Rebouças caso necessário) com pelo menos um mês de antecedência. O valor das taxas de entrada no parque e camping não chega a 20R$. No site do ICMBio tem maiores informações e telefones para reserva (e-mail reservas.pni@icmbio.gov.br).

 Travessia Rebouças x Mauá – via Rancho Caído

Já no abrigo Rebouças, o Renato e o Rogério decidiram ir até o Prateleiras, enquanto eu, Le e Clóvis ficamos dando um tempo tirando fotos e próximo às 11hr começamos a fazer nossa travessia. Como os outros meninos andam muito rápido, depois eles nos encontravam pelo caminho.

A travessia começa atrás do abrigo Rebouças, seguindo para a direita, em uma trilha bem marcada, margeando um lago de águas congelantes! Como o exército é quem cuida desse parque, todo esse trecho de subida é composto por placas de pedras para auxiliar a caminhada e num trecho de charco há uma ponte pêncil. Sentimos falta desse cuidado do exército próximo ao acampamento no Rancho Caído 🙁

A trilha é sentido os Agulhas Negras. Passamos bem pertinho dele, vendo claramente suas ranhuras e o trecho para atingir seu cume. As lombrigas foram a mil! Conforme íamos caminhando, percebemos que iríamos contornar o agulhas, muito massa! Seguindo à direita após a ponte, se vai para o Agulhas Negras, e à esquerda é o caminho para a Pedra do Altar, nosso destino!
O caminho segue em direção à Pedra do Altar, mas há uma bifurcação que leva à formação conhecida como Asa de Hermes, que recebe esse nome devido ao desenho existente em uma das rochas que lembra as asas do calcanhar de Hermes. Eu estava doida para conhecê-la, mas o Clóvis estava com receio de chegarmos muito tarde no acampamento, e me prometeu que voltaríamos para subir o agulhas e prateleiras e que aí daríamos um pulo nas asas. Como ele está sempre em Itamonte, é só combinar um dia!

Terminada a subida, logo se alcança a Pedra do Altar e se avista um campo bem aberto, e a partir daqui o caminho fica bem plano com varetas pintadas de vermelho pela metade indicando o caminho em pontos em que surgem duvidas de qual seria a direção correta. E a gente segue em direção à cachoeira Aiuruoca.

No meio do caminho pra cachu o Rogério nos alcançou, o Renato havia ido subir o cume do Altar. Seguimos juntos a partir daí. O Rogério desceu para ver a cachu por baixo, mas nós três ficamos com preguiça porque era uma piramba para descer, e ficamos no topo, deitados, descansando, com a cara ranchando no sol e os pés congelando na água.

O Rogério ficou enlombrigado de subir até o cume da Pedra do Altar, e decidiu voltar. Sim, doido! Ficamos preocupados com ele chegar de noite no acampamento, principalmente porque estávamos encontrando vários rastros de animais, alguns sugeriam ser de onça. Mas ele insistiu e se mandou! Logo em seguida aparece o Renato, depois de três horas que já estávamos caminhando! Mas não durou muito, logo logo ele já se mandou de novo…. Energias renovadas, com direito a fotos de turistas vendo os acabados largados dormindo na cachu, seguimos o caminho. De longe vi as rochas que recebem o nome de Ovos de Galinha, e queria porque queria ir lá, mas elas estavam muito longe da trilha  🙁

Fomos seguindo por campos bem abertos com rochas, características de altitude, uma paisagem que nunca havia visto. Aqui estávamos a mais de 2000m de altitude. Embora não houvesse muita cor, pois o mato era composto por um capim amarelo, o céu azul se destacava sempre.

Mais a frente, percebi que os Ovos de Galinhas estavam na nossa direção, e aos poucos fomos nos aproximando. Fiquei hiper feliz 😀 Deixamos a mochila na base dos Ovos e subimos para apreciar a vista que se tem de lá, compostas pela nascente do Rio Aiuruoca e da lateral da Pedra do Sino, com 2700m de altitude. Pra variar, queria subir né, mas já estava tarde e ainda tínhamos uns 8km pela frente.

Bem, esqueci de tirar foto desse ponto, mas quando se está nos Ovos, olhando à frente, à direita há a Pedra do Sino e à esquerda uma colina, uma pirambeira que era a nossa rota.
Fomos subindo, devagar porque o fôlego deixou a desejar, mas o que não imaginávamos era que iríamos realmente perder o fôlego quando alcançássemos o topo. Por quê? Porque iríamos ter a vista do Vale dos Dinossauros! E daí? E daí que esse é o tal do Vale lindíssimo, e se nas fotos já dispara o coração, imagina ao vivo!!! Só indo lá  😉
É, emociona só de escolher as fotos para postar! Voltaria lá sem pensar duas vezes! Eu sempre estudo os relatos do Augusto e do Jorge Soto para essas trips (sempre que pesquiso qualquer coisa no google sobre trilhas, termina no relato de um desses dois mestres, impossível haver algo que eles ainda não fizeram!). Segundo o relato do Augusto sobre essa travessia (veja aqui), “o Vale dos Dinossauros contempla a nascente do Rio Preto, o Pico do Maromba e Marombinha se destacam na última crista que separa o Vale de Visconde de Mauá das partes altas do PNI”.

A partir desse ponto descemos por um trecho de mata fechada e chegamos num descampado plano, com a vegetação bem ralinha, consequência do incêndio que houve em 2010 🙁 Daqui é possível ver outro lado do Agulhas Negras, sempre presente em nossas paisagens! A parte mais difícil aqui foi pular o Rio Preto! Ao seu redor estava tudo encharcado, e como ele era fundinho, não ia ser legal levar um tchibum aqui!

Atravessando esse descampado, já estávamos no camping. Ele fica numa área escondida, o ponto de referência são essas grandes rochas com araucárias ao redor, o camping fica numa trilhinha que há ali à esquerda. Se seguir pela direita, você continua a travessia, e é o que fazemos no dia seguinte.

Chegamos ali às 17hr, o Renato chegou 1hr antes pois havia disparado na nossa frente após os Ovos, e ficamos muito preocupados com o Rogério, não havia sinal dele, e como ele não tinha tracklog, talvez não encontrasse o acampamento, pois não há nenhuma placa indicativa do local, achei isso uma falha! Quando o sol estava prestes a sumir por completo, ele chega!! Esse é guerreiro demais!!!

A área de camping (selvagem) do Rancho Caído é um descampado no interior da mata, circundado por rochas e árvores, com espaço para umas 10 barracas de 4 pessoas bem espaçadas. O local é bem limpo, embora eu tenha encontrado alguns materiais de kit churrasco ao lado de uma rocha (cadê a consciência ambiental meu povo??), e já ter um amontoado de pedras pronto para uma fogueira. Ficamos só nós cinco instalados aqui, achei estranho pois ainda estávamos no finalzinho da temporada de montanha. Água não é problema nessa travessia… a toda hora se encontra algum riacho e próximo ao camping tem ao menos três! Como estávamos dentro de um buraco, segundo o Clóvis formado pelo pouso de uma nave espacial (eu já acho que foi um dos meteoros da época dos dinossauros), não pudemos ver o pôr do sol, mas o resultado dele foi esse:

Pena que não sei usar muito bem minha câmera, principalmente para fotos noturnas, mas gostaria de registrar um momento que achei carregado de um sentimento muito bom, calmo, de felicidade e realização. Após a janta sentamos em uma das grandes rochas que estão na entrada para o acampamento e ficamos olhando aquele céu maravilhoso, lotado de estrela, enxergando o contorno das árvores ao redor, das montanhas à frente, nós cinco enfileiradinhos… muito bom lembrar desse momento  🙂

A noite foi tranquila, não tivemos visitas de onças, os ratinhos de altitude não comeram nossa barraca e não fez aquele frio congelante que todos dizem! Levantamos umas 7hr, tomamos café, o Rogério e o Renato dispararam na frente para variar e após termos a companhia dum lindo fofo e gordo ratinho de altitude enquanto arrumávamos as cargueiras, partimos umas 8:30 pegando a trilha que segue à direita da entrada do camping.

A partir daqui foi só subiiiiida até chegarmos no topo da crista com o Pico Marombinha à direita e depois só desciiiiida, sem exagero! Coitados dos meus joelhos e dos do Clóvis 🙁 Aqui tivemos outra vista de tirar o fôlego (que já estava em falta mesmo depois de subir a piramba toda). No relato do Augusto ele descreve que daqui se avistam o Vale do Rio Preto à leste, onde estão as vilas de Maromba, Maringá e Visconde de Mauá, à direita e ao fundo está a Pedra Selada, à nordeste a crista da Serra do Papagaio e à noroeste a Serra Negra… é… é foda demais!
Depois de tomar muito cuidado para descer a piramba toda com o sol torrando a cuca, alcançamos a vegetação de mata atlântica e nos despedimos da paisagem de alta altitude! A parte boa foi que andamos por entre as árvores que nos protegeram do sol e deixaram o ar bem fresquinho! Avistando milhares de bromélias, orquídeas e sendo agarrados por espécies de bambus cheio de pequenas e afiadas garras. Um arranhão desse negócio queimava e ardia demais! Após cruzar o primeiro riacho, surge uma bifurcação. À esquerda se vai para a cachoeira do Escorrega de Maromba e à direta para o Vale das Cruzes, entre Maringá e Visconde de Mauá. Pegamos a trilha da esquerda. Por esse caminho a gente cruza alguns riachos, e é nesse onde paramos para comer algo que combinamos e prometemos fazer a Serra Fina na temporada de 2015! O final da trilha por mata é demarcado por área de residência bem aberta, com estrada de terra e uma casa. Quando fomos não havia ninguém por ali.

Continuamos a caminhada pela estrada e nos deparamos com uma família. Paramos para conversar e eles ficaram surpresos quando falamos da onde estávamos vindo e que estávamos andando desde o dia anterior. O pai disse que tinha muita vontade de fazer essa travessia mas que não tinha muita companhia e que a esposa não o acompanharia. Tem sido comum escutar isso durante as trips, em Monte Verde essa história se repetiu. Fico feliz quando encontro um casal de trilheiros, pois um não fica dependendo do alvará do outro para se encontrar com os perrengues! Quando estávamos indo embora, eles perguntaram se não queríamos que eles tirassem uma foto nossa, pois provavelmente não tínhamos nenhuma juntos, e realmente não tínhamos!E esse é o nosso guerreiro Rogério! Não temos foto juntos pois, como disse, ele disparou na frente! Gente boa demais!

Ao fim da estrada chegamos por fim na Vila de Maromba em torno de 12:30hr, encontramos com o Rogério e Renato que já haviam chego há um tempo, e eu e a Letícia não resistimos em dar um tchibum nas águas congelantes da Cachoeira do Escorrega de Maromba!!! A queda é uma delícia, não é forte, mas a temperatura da água congela teus músculos e respirar se torna difícil 😯 Quando consegui me mexer, nadei até as pedras na margem e não tive coragem de escorregar de novo! Nessa região há alguns vendedores de artesanato e restaurantes. Ficamos aqui esperando em torno de 1:30 a chegada do nosso resgate, que combinamos de ir nos buscar às 14hr. Fomos então até Itamonte e de lá partimos para SP, chegando antes das 22hr.


Distância: 24km

Dificuldade: Fácil para quem já é acostumado com travessias de montanha

Guia: não é necessário caso tenha experiência com navegação em trilhas de montanha e tenha gps com tracklog da travessia

Custos: R$14 de entrada no parque PNI, R$6 de acampamento, combustível + pedágio desde a cidade de origem, $500 dividido pelo grupo referente ao resgate que nos levou de Itamonte/MG à parte alta do PNI e depois nos buscou em Visconde de Mauá e nos levou de volta a Itamonte.

4 Replies to “Travessia Rebouças x Mauá via Rancho Caído – A mais bonita do Parque Nacional do Itatiaia PNI”

  1. Paykasa, 16 haneli pin kodundan oluşan, daha önce çok yaygın olarak kullanılan bir ön ödemeli kart türüne benzeyen, içerisinde euro bakiyesi olan bir ön ödemeli sanal karttır. İçerisindeki bakiyeler özel olarak üretilemediği için standart kart bakiyeleri 10, 20, 50, 100, 150, 250 tek kart bakiyesi olarak satılmaktadırlar. Tek kullanımlık bir kart olan paykasa kart, kullanılan sitede kartın bakiyesini girmenize gerek kalmadan sadece 16 haneli tek kullanımlık koduyla işlem yapmanıza olanak sağlamaktadır.

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