Travessia Petrópolis x Teresópolis – Uma das mais bonitas do país!

Petrópolis x Teresópolis é o nome oficial, mas há os apelidos Peterê e Pétro x Têre, para essa que com certeza é uma das mais bonitas travessias do país e do planeta. Ela está situada na Serra dos Órgãos/RJ, a qual pertence hoje ao PARNASO, o terceiro parque mais antigo do país, criado pelo Getúlio Vargas em 1939. Nela as paisagens vão desde montanhas e campos de altitude até mata atlântica e cachoeiras (rola dar tchibum!). Mas tanta beleza tem seu preço: caminhada por três dias, terreno íngreme, escalaminhada e três trechos principais de exposição em risco (elevador, mergulho e cavalinho, que irei descrever adiante).

“Porque o Rio não é só samba e mar!”

Reserva da travessia no site do PARNASO

Para fazer essa travessia é necessário comprar o ingresso com antecedência, com muuuuita antecedência, porque esgota rápido! Basta entrar no site do PARNASO (Parque Nacional da Serra dos Órgãos), ir na sessão de compra de ingresso e fazer a reserva da forma que desejar: se vai fazer Petro x Tere ou Tere x Petro, se vai dormir em acampamento ou no alojamento em beliche ou bivack (dorme no chão com saco de dormir e isolante), se vai alugar barraca, se vai querer banho quente… Minha reserva ficou em 195$. Sim, caro! Principalmente pra quem está acostumado a fazer trilha sem pagar taxas. Mas realmente o parque é super organizado, as trilhas bem preservadas e limpas, ao contrário do que tem acontecido com montanhas que não são de propriedade pública, como o Marins, que está com uma frequentação desenfreada de “montanhistas”. Coloco as aspas pois não considero como montanhistas pessoas que deixam restos de comida e lixo pelas matas e montanhas, esses ainda não entenderam a filosofia da coisa. Reservei a travessia, taxas do parque, camping e barraca para a primeira noite (o abrigo estava em reforma, então não poderíamos dormir no alojamento, e não quis carregar barraca só pra esse dia, ai dividi com a Mayara), alojamento para a segunda noite e banho quente para o segundo dia, quem optar por uma reserva mais simples, o preço não chega a R$100.

A tchurma

Desde que conheço o Clóvis ele não párava de falar nessa travessia, tanto que ele já a havia feito umas três vezes (perdeu a conta). E todo montanhista que eu conhecia era a mesma história “já fez peterê?”. No final de 2014, quando começamos com a agendinha dos feriados do 1° semestre, decidimos que esse ano a faríamos no feriado de 04/06.

De início éramos só eu e o Clóvis, e quando fomos comprar os ingressos nos juntamos com alguns amigos da Mayara, e por fim fomos em onze! Eu, Clóvis, Mayara, William, Julia e seu namorado Francisco, Mario, Wagner e seu filho Lucas, Sol e Murilo. Primeira vez que ando com tanta gente, ainda mais em travessia (adorei!).

 

Indo para Petrópolis

Saímos de SP no dia 04 eu, Clóvis, Mayara e William rumo a Petrópolis onde dormiríamos em uma pousada e nos encontraríamos lá com a Ju e o Fran, o restante iria de ônibus e chegaria no dia seguinte pela manhã. Logo no início da viagem, antes de cair na Dutra, sofremos um acidente. Dois cachorros vieram atravessando a pista loucamente, e quando os vimos já estavam muito em cima. Por mais que o Clóvis tenha tentado freiar e desviar, acabou pegando um deles, que era enorme =/ O cachorro caminhou até o acostamento e caiu. O Clóvis tentou socorrer mas ele não resistiu. Quem me conhece sabe como sou com animal,  e como nunca aconteceu de eu presenciar algo do tipo, entrei em choque 😯 Logo em seguia chegou o carro da via oeste e estavam justamente procurando esses cachorros, pois quase houve um acidente antes. E no dia anterior quatro pessoas morreram após o carro capotar por desviar de cachorro na pista 🙁

Chegamos em Teresópolis às 18hr e fomos correndo deixar o carro no parque, na portaria onde terminaríamos a travessia. Contratamos um táxi para nos levar à pousada em Petrópolis, o que ficou em R$200 ao todo e levou quase 2hr de percurso. Tem a opção de ir de ônibus, mas ele opera poucas vezes por dia.

Vista que se tem da rodovia para o Dedo de Deus

A pousada Vila Açu

Dormimos na pousada / hostel Vila Açu, que fica ao pé de alguns morros, entre eles o Morro do Açu. Tem um ar aconchegante de sítio, tudo bem decoradinho, fofinho, com bichinhos soltos, riachinho, cachoeirinha… ai, moraria lá de boa 😀 Os donos são veggies então eu estava sussu quanto a comida! A diária custa R$60 com café da manhã e R$20 a refeição previamente agendada.

Levantamos às 7hr, o pessoal que veio de ônibus logo chegou, fomos tomar café e demoramos tanto que o Lucas pegou no sono hehe Às 9:30hr saímos a pé para ir à portaria do PARNASO, que ficava numa subidinha que há à direita da entrada da pousada.

 

A TRAVESSIA 

 

Primeiro Dia – Bairro do Bonfim x Morro do Açu (Percurso: 7Km)

Após dar entrada na portaria do parque, começamos a pernada por volta das 10hr, junto com mais umas 50 pessoas (por ser feriado o parque estava lotado!). O primeiro dia é só subir, então vamos lá! Esse trecho inicial não tem muita dificuldade de navegação… se inicia margeando um rio à esquerda e quando houver uma bifurcação, placas indicarão o sentido correto (esquerda vai para o Poço Paraíso e Poço das Bromélias, direita para Cachoeira Véu da Noiva e Morro do Açu – seguimos pela direita).
 

A partir daí subimos… Subimos subimos subimos, passou por nós um grupo grande e escutei um “Hola”. Logo a frente eles que pararam para respirar um pouco e quando os passamos perguntei “é impressão minha ou escutei um ‘Hola’ de alguém?” Aí o colombiano Carlos se entregou! E perguntou se eu (italianona) e o William (japonês) também éramos estrangeiros hehe Em torno de 1hr desde a portaria, chega-se à segunda bifurcação: à esquerda segue para o Poço da Ducha e à direita para o Morro do Açu – novamente se deve seguir pela direita.

Continuamos a subir até chegar ao primeiro ponto: Pedra do Queijo, às 13hr, que leva esse nome devido ao seu formato. A paisagem dali pro Vale do Bonfim é absurda! Recomendo perder um tempo aqui para as fotos 😉

 Depois subimos subimos subimos até o segundo ponto: Ajax, às 14:30hr. Aqui se tem o primeiro ponto de água, à esquerda do descampado.

Do Ajax seguimos para o topo do morro mais alto à nossa frente, chamado de Isabeloca, que recebe esse nome em homenagem à Princesa Isabel, que adorava subir até ele, e como os escravos a chamavam assim, o apelido pegou! O Isabeloca proporciona uma vista lindíssima para a cadeia de montanhas que acabamos de subir, e à sua direita há um descampado também muito bonito.

Dali seguimos à esquerda, para o Morro da Cruz. Em seu cume há uma cruz em homenagem aos três jovens que ali morreram após serem atingidos por um raio em 1992.

Lá no fundo da foto à esquerda tem uma cruz, vai por mim!

 

Subimos mais um pouquinho, passando por uma grande área de charco (e enfiando os pés nele) e capim-elefante, até chegar no Castelo do Açu, às 17hr, onde dormiríamos. A área ali é lindíssima!

Castelo do Açu

 

Área do abrigo

 

Eu não fui até a rocha que leva o nome do acampamento pois já estava escurecendo e precisávamos descobrir onde dormiríamos. Seguimos eu, Clóvis e Mayara, os que haviam alugado barraca, por uma trilha muito mau demarcada, sendo engolidos pelo capim-elefante e afundando nos charcos até finalmente chegar no abrigo. De lá eu vi que bastava seguir em direção ao Açu que lá tinha uma pontezinha que dava um acesso facílimo ao abrigo. Essas “desorientações” viu! (o Clóvis fica bravo quando falo que a gente se perdeu!)

O abrigo conta com cozinha e utensílios pra gente fazer o rango, mas, como ele estava em reforma, o pessoal que trabalha lá estava pegando o rango da galera pra cozinhar e depois entregava quando estivesse pronto. Todo mundo estava entregando o miojo básico e se deliciando ao comê-lo depois de toda aquela pernada. Quando fui entregar nosso feijão, arroz, mandioquinha e o frango do Clóvis, tudo a vácuo, pra eles esquentarem, quase escorreu uma lágrima dos olhos da galera. Ho dó!!! Até o cara do abrigo pediu pra experimentar. O Milton era um cara muito engraçado que recebia a galera super bem. E subia toda semana com botijão de gás nas costas, caminhando pela trilha que fizemos, para levá-lo ao abrigo.

Enquanto comíamos pegamos amizade com dois espanhóis, Carlos e Guillermo, que trabalhavam no Rio, e que também eram engenheiros eletricistas e aventureiros. Pancita cheia, fui pegar a câmera pra tirar foto da cidade ali da área de camping, que estava com uma linda vista lá de cima! Logo chegou o Mario para me ajudar a ajustar a câmera, e estávamos conversando quando de repente ele grita “olha issooo”. Virei para a cidade e dei de cara com uma bola vermelha naquele céu preto. “O que que é isso? Explodiu algo?” (Acordei o camping todo) “Não!!! É a lua!!!!!”… Nunca a vi daquele jeito! Nascendo depois das 21hr e vermelha daquele jeito. Pena não ter uma lente decente pra dar um belo zoom, mas está aqui uma noção do que presenciei naquela noite ♡♡♡☆☆☆

 

O Paulo, que conhecemos na Pousada do Açu, estava fazendo a travessia solo em dois dias, e já estava meio dormindo quando escutou nossos gritos da lua e veio sentar com a gente. Não demorou e logo veio também o Cipriano, mineiro de Barbacena, que estava com o grupo do Colombiáááno 🙂

Depois das milhares de fotos fomos mimir. Como alugamos as barracas, elas já estavam montadas, eram da “trilhas e rumos” modelo esquilo, ótimas! Cabem duas pessoas bem de boa e as mochilas podem ficar no avanço, só recomendo colocar a capa de chuva, pois deu uma boa condensada e ‘choveu’ nelas. Ali com a gente dormiu mais o Mario, Wagner e seu filho, pois o castelo do Açu estava lotadíssimo! Mimi até começar a ventania. Parecia que tinha alguém do lado de fora chacoalhando a barraca. E ficou assim por horas e horas, ou seja, não mimi legal. A galera que ficou no Açu falou que ficaram em uma das fendas dele, e que a corrente de vento que formou ali foi horrorosa também!

 

Segundo Dia – Castelo do Açu x Pedra do Sino (Percurso: 10Km)

Uma hora dei uma acordada e vi uns raios de sol. Não consegui mais dormir, levantei, não tinha ninguém acordado, achei que já tinha perdido o nascer do sol pela claridade, tirei umas fotos e fui pra fila do banheiro. Quando voltei nossa galera já estava acordada “não acredito que você não viu o nascer do sol!” Pois é, perdi. Ele nasce 6:20hr, e pelo jeito acordei antes desse horário, a galera subiu no morro que havia em frente do camping ou foi até o Açu, falaram que foi beeem bonito 🙁

Começamos a pernear por volta das 8hr, seguindo à esquerda do camping rumando pela direita e logo começamos a ficar frustrados: neblina. Imagina pegar neblina justo no dia do auge das paisagens maravilhosas! E eu já estava traumatizada com a Marins x Itaguaré (leia aqui). Andamos até o Morro do Marco e imagino que ali deveria ter uma paisagem incrível, mas… tudo branco! Julinha começou a ficar nervosa hehe A partir desse ponto a navegação começa a ficar complicadinha, prefiro não dar dicas do caminho, uma porque não vi muita coisa com a neblina e outra porque não lembro hehe Sei que à direita se consegue ver Dedo de Deus e Cia devido às pequenas janelas que se abriram. E sei também que o parque andou melhorando as trilhas, colocando marcações do caminho nas rochas. Havia lido um relato que não condizia com a realidade de quando fui. Sugiro dar uma olhada em tracklogs mais atuais 😉

 

 

Demos um tempo no Marco mas nada de abrir a paisagem … Então prosseguimos para o próximo desce e sobe até o Morro da Luva, subidinha um pouco nervosa! Deve-se pegar as trilhas à esquerda, pois à direita se vai para Os Portais de Hércules (estava doida pra ir mas não deu tempo 🙁 ) No final do Marco se entra numa mata e, atravessando um riozinho, deve-se seguir pela trilha. Enquanto subíamos a piramba da Luva, de fundo tínhamos a face do Morro do Marco e lá em cima o Castelo do Açu. Quase no topo da Luva, deve-se seguir pela direita.

Castelo do Açu no meio da nuvem

 

Do topo da Luva, aí é só descer… andamos por um vale descampado e cheio de charco. Ainda víamos tudo branco. Quando estávamos terminando a travessia desse vale, de repente abriu uma janela no meio do branco e vimos a famosa paisagem do Dedo de Deus, Garrafão e companhia. Todo mundo ficou de boca aberta  😯 E daaaaá-lhe foto ♡♡♡☆☆☆

 

Depois de recuperada a calma, fomos pra primeira das três famosas dificuldades dessa travessia: o elevador! Eu estava tensa e de longe comecei a ver a galera subindo aquela interminável escada super inclinada. Parei de olhar! Descemos até um rio que cortava o vale (acredito que dê pra reabastecer as garrafinhas ali), atravessamos por uma ponte e já estávamos no elevador. Só subir. Subir subir subir. Na verdade não vi muita dificuldade ali quando terminei, só agarrar bem nos grampos presos nas pedras e tomar cuidado pra não se levantar e a cargueira te jogar pra baixo. Como passamos por uma área de charco, os grampos estavam aquela meleca por causa das botas sujas.

 

Li em um relato uma forma de não subir pelo elevador, indo à direita a partir do ponto em que se atravessa o rio, porém é bem arriscado, pois há lages bem inclinadas e dar um escorrega por ali é fatal! Melhor subir mesmo! Depois de muito tempo subindo e não aguentando mais aqueles grampos, chegamos no Morro do Dinossauro e tive a maior recompensa dessa travessia! Fala se não vale a pena!?  😉

 

Vista da Cabeça do Dinossauro. Da direita para a esquerda: Escalavrado, Dedo de Nossa Sra, Dedo de Deus, um pedacinho da Cabeça de Peixe, Garrafão, Pedra do Sino, Dorso da Baleia.

Depois de sermos compensados com aquela maravilha sob céu aberto e com a neblina beeeem longe de nós, de nos acabarmos tirando foto, comendo e até dormindo, seguimos para a Pedra do Sino. Indo à esquerda do Dinossauro, subindo uma lage inclinada em direção ao Dorso da Baleia, logo se vê a trilha em meio a uma mata, depois de descer uma lage super pirambeiraaa e com belos charcos para escorregar, sempre rumo à esquerda.

No final da piramba, vê-se a trilha para o Vale das Antas

Ao entrar na mata, passamos por uma florestinha de bambu (cuidado com os Pandas!) e terminamos em um riozinho onde vários grupos pararam para dar uma recuperada no ânimo, era o Vale das Antas. Ali ficamos conversando com o Colombiano e o mineiro de Barbacena.

Dali seguimos mais um pouco pela mata até chegar em uma rocha, a Pedra da Baleia. Dela partimos por uma crista rochosa e ali seguimos até seu cume. No meio da subida dessa crista se tem uma vista belíssima para o RJ à direita, dando pra ver sua praia e o que acreditamos ser o Pão de Açúcar. Também vemos uma face do Garrafão e da Pedra do Sino à esquerda.

Terminada a subida, seguimos pela direita em direção ao Garrafão, e depois à esquerda até nos darmos de cara com a face do Sino, em um vale que leva o nome de “Vale dos Sete Eco”. Dá um berro que já se vê o porquê! Estava uma muvuca ali! Logo abaixo, à direita, estava o segundo ponto crítico da travessia: o mergulho. Quando chegou nossa vez na fila, um moço de outro grupo se ofereceu para ir na frente e nos descer com corda também. Aceitamos. Mas eu e o Clóvis descemos sem precisar dela, fomos escorregando mesmo! Foi bem de boa, só descer as cargueiras separadamente.
 

Depois seguimos pela esquerda, subindo uma pirambeira em meio a mata, até pararmos num congestionamento no meio do barranco…. o terceiro e pior ponto crítico da travessia: o cavalinho. E ali ficamos derretendo no sol até chegar nossa vez. Estava demorando muito e começamos a nos preocupar em subir ali no escuro, mas conseguimos passar ainda de dia. O cavalinho é uma pedra que está atravessada em uma fenda formada em uma face do Sino, e só tem esse caminho pra seguir adiante na travessia! Para subir, tem que ir até a esquerda dela, no abismo mesmo, e montar nela como se fosse um cavalo. Embora a galera bote muito terror dessa parte, eu até que estava calma, vendo a galera subindo na maior classe, montando no cavalinho e fazendo graça. Chegou a nossa vez, eu fui uma das últimas. A Julinha pegou minha mochila para subí-la e em seguida gritou: “quantos corpos você está carregando aqui?” É a Monstra né!? Hehe Todo mundo subindo na classe e eu tinha que ser a pamonha. Eu estava sussu, subi com o pé esquerdo em cima de uma pedra mais abaixo do cavalinho, em sua extremidade esquerda como citei,  joguei a perna direita pra ‘montar’ no cavalo, e eis que me dá uma puta duma cãimbra. Abaixei a perna direita e vi que a esquerda estava escorregando, aí bateu um desesperinho. Joguei a direita de novo, cãimbra de novo. “Fran, você puxa minha perna ai pra cima? Maya, meu pé tá escorregando, você puxa meu braço ai pra cima?”. Ai foi o saco de soja içado cavalinho acima sem o mínimo de classe e toda aquela platéia assistindo hehe Mas subi! E aproveitei a paisagem, com aqueles raios mornos do fim do dia chegando. A fila pro cavalinho se perdia no meio da mata, de tanta gente! Ainda precisávamos chegar no Sino, então bora lá.

Olha a cara da galera!!!

 

 A galera bota pavor  no cavalinho, mas achamos a égua (que apelidamos assim) pior! Levamos cordelete para içar as cargueiras e foi ele que nos ajudou nesse ponto. A égua é um amontoado de pedra bem íngrime e com pontos que não se consegue uma abertura legal das pernas para subir. Havia uma argola de escalada na rocha e amarramos o cordelete nele pra pegar impulso e subir. Saindo dali demos de cara com uma escada em 90° e longa pra subir. Affeee Bora lá. Ficamos pensando em como ela foi parar, e nas minhas pesquisas achei a resposta em um relato: Endre de Gyalokay a carregou sozinho, e depois retornou ali para fazer sua fixação. Cabra macho heim 😯
 

Terminados esses sufocos, aí foi passeio no bosque. A noite foi chegando e o meu cansaço também. Mas tomei uma injeção de ânimo ao ver o pôr do sol, ao longe, atrás de uma cadeia de montanhas lindíssimas que depois fiquei sabendo que era a Serra dos Três Picos, me apaixonei à primeira vista!

Chegamos no abrigo do Sino já de noite. Como haviam 50 pessoas na nossa frente para a fila do banho, fomos pra fila da cozinha fazer o rango. Para mim e pra Maya fizemos o delicioso cuscuz marroquino com creme de mandioquinha e ervas e mandioquinha embalada a vácuo da Vapza. Hummmmmmm

O chuveiro era dentro do abrigo. Eram permitidos 5 minutos de água deliciosamente quente, contados a partir do momento em se abria o registro do chuveiro. Quando faltam 30 segundos, um funcionário do abrigo vem avisar que nossa felicidade está acabando, e ao término da contagem vem aquela água gelada =( Mas ó, vale a pena os R$20 heim! Nessa noite eu, Clóvis, Maya e William dormimos nas beliches do abrigo, os outros do nosso grupo preferiram acampar.

 De pança cheia e banhinho tomado, fomos ver a lua da Pedra da Baleia, que fica pertinho do abrigo, basta pegar uma trilhinha em uma mata logo ali atrás. A lua demorou a nascer, apareceu só depois das 21hr, mas quando chegou, foi aquela lindeza! Ficamos por lá, vendo aquela beleza toda de Teresópolis iluminada sob o céu estrelado e sob a luz forte da lua, aquele silêncio gostoso de montanha, sem escutar os barulhos dos carros lá de baixo… diliça! Ficamos um bom tempo ali de boa, pelo menos enquanto o frio nos permitiu! E fomos mimir.
 
 

Terceiro Dia – Pedra do Sino x Barragem do Rio Beija-Flor (Percurso: 11Km)

Não conseguia dormir. Eram muitos roncos no quarto. Dormimos em seis nas beliches. Vira daqui vira dali, quando finalmente dei uma descansada, logo o William me sacode “Acorda!!!”. Eram 5hr, e eu que agitei a galera pra ver o nascer do sol do cume do Sino, estava arregando. Cheguei a falar que não ia mas bateu o arrependimento, e fui zumbizando. O Clóvis, que já havia visto a cena nas outras vezes que esteve por lá, preferiu hibernar mais um pouco com seu pijama xadrez (uma graça!). Fomos eu, Maya, William, Ju e Fran. O resto continuou morto no abrigo. Como nos atrasamos um pouco, a transição do céu preto para o vermelho começou enquanto subíamos. Eu havia visto essa cena pela primeira vez no Pico da Bandeira e fiquei maravilhada! Em torno de 10 minutos chegamos ao cume, e aí foi só esperar. Olha o resultado:
 
 

Serra do Três Picos que eu fiquei apaixonada!

 

Cidade do RJ ao fundo, as praias estão à direita

Foto editada pela grande Érica Dal Bello para o tutorial sobre fotos com neblina no site dela www.photopro.com.br – Foi também publicada no instagram da Revista Go Outside

 

Fala se não vale a pena madrugar!?  😉

Fomos uns dos últimos a descer para o abrigo. Quando chegamos, o Clóvis ainda estava de pijama hehe Às 9:30hr prosseguimos para a travessia, mas agora sem o Mario, Wagner, Lucas, Sol e Murilo. O ônibus deles para SP ia sair somente às 22hr! Então preferiram dormir mais um pouco.

A partir daqui acaba a paisagem de montanhas 🙁 Andamos em meio a mata, às vezes fechada, mas com trilha larga e bem batida. Esse trecho é somente de descida, o que judiou dos meus joelhos e dos do Clóvis. Paramos algumas vezes para comer, eu ia dormir rs estava realmente um zumbi depois de dois dias andando daquele jeito sem dormir. Passamos por algumas cachoeiras, Papel e Véu de Noiva, nas quais é possível dar tchibum. Às 12hr terminamos nossa travessia na barragem do Rio Beija-Flor. Aí foi só aproveitar os últimos instantes naquela cidade linda e a paisagem do Dedo de Deus enquanto descíamos a serra.

Vista para Teresópolis do final da trilha

 

Final da travessia!!!!

Serra dos órgãos vista da rodovia

Uma das rodovias de paisagem mais linda em que já estive!

 

Quero mais ♡♡♡♡

Agradecimento mais que especial ao pessoal que fez essa travessia mais linda do que já é! Finalmente tive o prazer de fazer trilha com a Maya, Francisco e Julia, que já conversava há um tempo, e das novas amizades apresentadas pela Maya: Mario (muito obrigada pela ajuda com as fotos!!!! As que saíram lindas foi graças a você!!!), Wagner (meu ortopedista particular), seu filho Lucas, William, Sol e Murilo, e agradecimento à Vania, carioquinha perrenguenta, que me ajudou com detalhes dessa travessia!!!

“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada.” ( Alexsander Supertramp)

* Nesse post há fotos clicadas por todos 🙂
* Os detalhes da trilha fornecidos aqui não substituem o uso de um gps com tracklog ou a contratação de um guia especializado nessa travessia.

 

Altitude máxima: 2275m na Pedra do Sino

Tempo: 3 dias

Percurso: 30Km

Melhor época: recomendável de abril a agosto, época do “inverno” brasileiro, com menos riscos de chuvas e tempestades. Mas isso é compensado pelo frio!

Guia: não é necessário caso tenha experiência com navegação em trilha e tracklog, senão é fundamental contratar um guia! Ele pode ser encontrado nas redes sociais ou pedir indicação no site do PARNASO.

Custos: reserva da trilha no PARNASO (a minha ficou R$190 conforme descrevo abaixo, mas fui com um pouco de luxo!), combustível + pedágio a partir da cidade de origem (ou ônibus + taxi), taxi da onde deixamos o carro até petrópolis (R$200 – R$50 por pessoa), comida para levar na trilha, e como fui um dia antes teve o hostel também (R$60 diária e R$20 janta). Para mim ficou em torno de R$400 (sim, carinho! Normalmente as trilhas que faço são gratuitas e mais próximas).

O que levar: roupa de trilha e para frio, roupa para dormir, jaqueta impermeável, luvas, touca, mochila cargueira, proteção solar, saco de dormir, isolante térmico, barraca (caso não alugue), comida para janta, lanche para trilha e câmera fotográfica, claro!

 

3 Replies to “Travessia Petrópolis x Teresópolis – Uma das mais bonitas do país!”

  1. J’ai quatorze ans et je me suis convertie à l’islam.

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