Travessia Marins x Itaguaré – Uma das mais difíceis da Serra da Mantiqueira

Uma clássica travessia na Serra da Mantiqueira, a Marins x Itaguaré faz jus à sua fama de “difícil”. Reza a lenda que ela possui uma das vistas mais bonitas da mantiqueira, mas, conforme descrevo aqui, não consegui confirmá-la 🙁
 
A Letícia falou de subirmos o Marins, que ela não conhecia, e eu disse que só voltaria lá para fazer a travessia até o Itaguaré, pois a subida dele era puxada e eu tinha ficado meio traumatizada… foi minha primeira “montanha”, minha primeira trilha com cargueira, e cheguei lá no esgotamento! Foi em 15/09/2013, não fiz relato pois não tenho muitas fotos, mas vou deixar as poucas dicas necessárias aqui! Conversando com o Clóvis, que já fez essa travessia também em 2013, ele decidiu ir junto e nos guiar. Marcamos a data para 01/05, criamos evento no grupo onde marcamos os perrengues, e estávamos fechando em 12 pessoas para ir! Estava super feliz, pois o grupo estava bem massa! E nele estavam o Anderson e o José Augusto, que sempre falamos de fazer essa travessia juntos! Mas foi chegando próximo a data e o pessoal foi desistindo, inclusive na véspera, como sempre acontece né  🙁 Acabamos indo em três: eu, Clóvis e Brunielli, personal dele que nunca fez trilha! Corajosíssima! A Letícia foi com o grupo do namorado dela, como eles andam rápido, nem cogitamos a possibilidade de nos juntar!     
 
 
Como chegar no Pico dos Marins
 

De São Paulo, seguir pela Dutra até Lorena/SP e entrar no Km 51, seguindo pela BR-459, que a liga com Itajubá/MG. O destino era Piquete/MG onde chegamos por volta das 9hr. Estando em Piquete, há dois caminhos para se chegar no Marins: o mais curto é ir pelo bairro Marins e seguir as placas indicativas para o Pico dos Marins ou para o alojamento base. Porém, esse é um caminho muuuuito ruim para carros baixo, é aconselhável para caminhonetes. Se esse não for o teu caso, logo que passar pelo centro de Piquete, siga em direção à Marmelópolis tendo como referência a Fazenda Saequi, é mais longe mas é melhor não correr risco de ficar sem carro logo no começo da trip né! A paisagem que se tem do caminho que vai pelo Bairro Marins é MARAAAA ♥ Me senti no cenário do teletubies, com aqueles planaltos redondinhos e verdinhos, o céu maravilhosamente azul 😀 De repente você fica de cara com o Marins, todo imponente ao lado da estrada… gente, é apaixonante!

É possível reservar cama, camping e refeição com o pessoal do alojamento base, cujos responsáveis são o Paulo e Márcia. A comida no fogão à lenha deles é maravilhosa!  Clique aqui para ver o contato deles no face.


Primeiro Dia – Subir o Pico dos Marins

Começamos a subir a trilha às 10hr, em meio à mata atlântica, que parte ali do alojamento. Já sabíamos que lugar para acampar ia ser terrível de encontrar, embora a base do Marins seja bem ampla. Tinha muito, mas muito carro no alojamento base. Por onde se olhava, tinha gente na trilha. 😯  Fomos seguidos por um dos cachorros do alojamento, que estava com uma das patas dianteiras quebradas. Logo ele nos passou.

Depois que a mata termina, se tem o primeiro o mirante e parada obrigatória, já que se sobe uma pirambinha e é uma ótima desculpa para descansar rs Estamos no morro do careca! Que faz jus a esse nome quando visto de cima! O primeiro ponto de água é por aqui, na mata antes de chegar no careca, não lembro exatamente o ponto para explicar, fui nele em 2013, dessa vez não precisamos abastecer. O próximo ponto de água é somente no começo da subida do Marinzinho, então é melhor subir com água suficiente para consumo.

Não vou deixar detalhes e direções da trilha aqui porque são vários detalhes, e é muito fácil se perder por lá e dar de cara com abismos 😯  Há vários totens (amontoados de pedra) e setas pintadas nas rochas indicando a direção, mas há quem diga que algumas referências foram colocadas erradas de propósito por guias, para quem não contratar seus serviços se arrepender depois rs Não sei se é verdade, mas foi o que li na net quando pesquisei sobre o caminho! Quando fui só no Marins, na descida ficamos desorientados por uns instantes, não havia essas indicações à vista e levamos um tempinho para encontrar o caminho de novo. Então, como eu disse, se não tem experiência e instrumentos de navegação, contrate um guia! No site Marinzeiro você consegue contratar o Gerson, e segue o perfil no face do Guto e do Rony, que conheci no alojamento com uma cargueira muuuuuito maior que a Monstra 😯

A partir do Morro do Careca você sobe, sobe, sobe, sobe infinito! Quanto mais alto, mais vai sobrando só rochas para escalaminhar. É aí que vem à prova tua bota, um solado bem aderente para rochas faz toda a diferença! E o medo de altura também  😯 Quanto mais altitude se ganha, mais aparecem os capim-elefantes. Dependendo do trecho, se perder em meio a eles é a coisa mais fácil do mundo!

Um trecho bem técnico nessa parte da subida do Marins é conhecido como funil, com uns 5 metros de altura. Falo técnico pois ele é bem inclinado, com agarras um pouco distantes, ou seja, precisa de certa “técnica” para subir. Levamos uma cordinha para puxar as cargueiras nesse trecho (fica a dica!), o que fez com que eu quase chorasse ao ver minha querida Monstra raspando rocha acima. Vontade de chorar mesmo deu quando vi os rasgos que abriram nela quando ela chegou lá em cima, mas faz parte 🙁  Assim, sem a cargueira, é relativamente fácil de subir o funil, o problema é que logo ali embaixo já é penhasco né… ai dá aquela tremedeira na perna da galera. Dessa vez havia um rapaz subindo que estava hiper tenso, e quase escorregou por conta disso. O esquema é respirar fundo, manter a calma, ter seu minuto de meditação do que está fazendo ali e não numa praia, não olhar pra baixo, contar com a paciência da galera e subir! Como eu já tinha guardado a câmera na cargueira e deu preguiça de tirar, o Wanderley me doou essas fotos do funil e outros pontos que me faltaram, obrigada Wandy 😀 Em uma terceira vez que fui no Marins, vi umas pessoas contornando o funil por uma trilha que se segue à esquerda dele. Sem querer, acabei vindo por ela na volta. É uma opção para quem não quer subir esse trecho, mas recomendo ir com tracklog com essa opção.

 

Depois do funil rapidinho se chega na base do Marins, ufa! Na primeira vez que fui ao Marins, chegamos nesse ponto com o sol se pondo. Eu estava em um estado de esgotamento terrível! Era a primeira vez que fazia algo do tipo, ainda mais carregando a cargueira pesadona. Lembro que a vista que se tinha dali era incrível, o sol bem na nossa altura, ele bem amarelo, o céu bem vermelho… é algo que só se vê lá de cima mesmo! Dessa vez chegamos ali depois das 14hr, minha câmera estava na Monstra, fiquei com preguiça de tirá-la para tirar foto da paisagem, contei que no dia seguinte ia ter uma vista bem melhor da base do Marinzinho que se tem logo à esquerda do Marins, mas estava completamente enganada…. já conto o porquê 🙁 Chegamos na base por volta das 15hr, sim! Levamos 5hr, subimos no nosso ritmo, aproveitando a paisagem.

Como esperávamos, estava entupido de gente! Era gente para tudo quanto é lado e não tinha mais onde acampar! Sim, isso foi possível, acabar com os lugares de acampamento! Nem nos arriscamos a tentar o cume porque se ali já estava assim, imagina o fervo que estaria lá em cima! Depois de andar pra lá e pra cá, conseguimos lugar ao lado do rio sujo, um lugar meio no brejo, mas cortamos uns capim elefante para cobrir o chão… mais à noite, foi escorrendo água por ali, e do lado das barracas ficou encharcado, mas a gente ficou de boa. Era lado contrário do qual iríamos no dia seguinte, mas o importante era que não estávamos acampados em rocha, e sim em um lugar plano ainda!

Vimos muita gente pegando a água daquele riacho sujo para consumo. Gente, não dá!!!! Tem uma placa da UNIFEI falando o quão nojenta ela é… não sei se ela continuará lá pois já tiraram ela do lugar quando fomos voltar para o caminho da travessia. Caso alguém esteja sem água mesmo, indo em direção à base do Marinzinho, do lado esquerdo de quando se chega na base do Marins, tem o começo desse riacho e lá a água é limpa, amarelada por conta dos matinhos por onde ela passa, mas dá para tomar! Mas mesmo assim, levar clorin é sempre bom! Quando estiver subindo esse pico, vá para o lado direito dele, acompanhando a matinha que se forma num vão na rocha e acompanhando o som da água… quando achar uma entradinha para o meio do mato, à esquerda, entre ali que vai dar acesso para a água! Vá se apoiando nas pedras para pegar a água do ponto onde ela está em movimento, onde tem uma pequena quedinha, nada de pegar na parte que está parada ok!?

Montamos acampamento, vi que a barraca que peguei emprestada estava fungada e sem spack… por dentro tinha bolas de 1cm de diâmetro de bolor! E algumas delas andavam… o amigo falou que tinha emprestado ela havia uns dias e que poderia estar suja de mato, folha, mas até aí ok né! Dei uma limpada e já era. Agora o que me preocupou mesmo foram os spacks… sem eles a chance da barraca condensar e eu acordar em meio de um rio congelante era grande! O esquema foi a velha gambiarra… armei a barraca do lado da Brunielli, compartilhei o spack da lateral, e amarrei as cordinhas da capa nas extremidades da barraca da Bru. Do outro lado o jeito foi amarrar no capim elefante. Peguei a corda que o Clóvis levou para levantar as cargueiras e fui amarrando no matagal. Ficou perfeito! Amanheci com tudo sequinho! O segredo é esticar até não dar mais, não deixando a parte interna encostar na capa  😉

Depois de descansar um pouco a costa que estava estrupiada, nos demos conta de que o sol logo logo iria se pôr. Já eram 17hr e não ia dar tempo de subir no cume 🙁  Então subimos um outro pico que tinha à direita do acampamento e aproveitamos o restinho do pôr do sol, o resultado foi esse:

 Após a bela paisagem, foi a hora do rango. Acampar com o Clóvis é sinal de jantar cuscuz marroquino ao creme de abóbora com grão de bico, uma delícia! Como ele diz, tem o carboidrato do cuscuz, a proteína do grão de bico e o tcharam do creme, combinação perfeita para montanha! Nada de levar miojo e cup noodles heim!!!! Como não tinha muita experiência, antigamente levava isso, até que o Clóvis me fazer morrer de vergonha em Monte Verde! Como uma das grandes dificuldades dessa travessia é a falta de água, levamos comidas que não precisavam de água, só o cuscuz precisava de menos de 500ml para fazer uma porção bem servida para nós três. Ainda levei de sobremesa canjica pronta embalada a vácuo da e 500ml de leite de soja para terminar de prepará-la! É, como melhor nas montanhas do que em casa! E de repente, quem chega? O totó que começou a trilha com a gente 😯 O bicho, com a pata quebrada, subiu o marins com a galera de boa, e a gente tudo moído! Pancinha cheia, umas 19-20hr, hora de desmaiar! 


Segundo dia – Subida do Pico do Marinzinho / Pedra Redonda / Pico do Itaguaré

Levantamos umas 7hr, tudo branco, muito frio.  Arrumamos as coisas e fomos fazer as deliciosas tapiocas. Começamos a andar às 9hr, e um pouco antes o grupo da Letícia atravessou pelo nosso acampamento, foi a primeira vez que vimos ela na travessia. Ela disse que de longe já tinha visto a gente, identificando a minha Monstra na paisagem 😛

Como disse, não dava para ver nada. Chegando na subida do Marinzinho, encontramos com uma galera se arrumando para a travessia. Um sr japonês nos mostrou onde pegar a água, conforme já expliquei. Pegamos mais 1,5 litros cada um e tratamos com clorin. Quando estávamos no meio da subida, começou uma ventania tão forte, que se não fosse o peso da cargueira, acho que já teria saído voando. O grupo do sr. japa com 11 pessoas, aos poucos nos ultrapassava, e iam sendo engolidos pelo nevoeiro.

Terminando de subir essa primeira piramba, decidimos pegar um “atalho” ao invés de subir outra piramba nervosa. Resultado: fomos nos desorientando (se eu falar que nos perdemos o Clóvis briga comigo!), dando de cara com abismos. Bem, eu acho que eram abismos, porque não dava para enxergar a profundidade né. Aos poucos fomos voltando para a trilha, e demos de cara com dois caras também desorientados por aquele trecho, eram o Bruno e o Thiago (nome de dupla sertaneja)! Decidimos nos juntar e seguimos a travessia juntos. Companhia é sempre bem-vinda ainda mais a deles, super queridos e engraçados!

Logo chegamos no ponto mais aguardado da travessia: a descida do Marinzinho. O Clóvis me botou muito, mas muito medo desse ponto, e eu estava ansiosíssima para chegar logo nele! No local há uma porção de cordas para você se pendurar e se jogar morro abaixo. Então fomos amarrando as cargueiras, jogando elas, e depois nos jogando. No fim nem é foda passar ali. Há pontos de apoio para os pés e você vai se apoioando na corda quando esses pontos são distantes entre si, e para quem manja de corda, desce como rapel. Como eu tenho medo de virar um pêndulo, trauma do meu primeiro rapel, fui me jogando mesmo.

O segundo dia foi só piramba, muita escalaminhada, não teve jeito! Haja coxa, panturrilha, tornozelo e joelho para subir as rochas. E é um tal de tira a cargueira, põe a cargueira…. A paisagem foi predominantemente branca. Eu estava morrendo de vontade de ver a famosa vista dessa travessia a partir desse ponto, mas não tive chance 🙁

Em torno das 13hr paramos para almoçar. Depois subimos descemos subimos descemos até chegar umas 16hr no ponto mais aguardado por mim devido a beleza: a Pedra Redonda, que não é redonda! Queria saber qual nave trouxe ela e a colocou ali! Pena não poder ver a clássica paisagem dela com o o Pico do Itaguaré imponente ao fundo 🙁  Mas os deuses nos permitiram dar uma espiadinha na paisagem, ver alguma cidade, quase ver o Marins por completo ao fundo, e uma noção do Itaguaré a frente. Tirei foto que nem doida!

Ai começamos a descer e vimos o pessoal acampado no começo da crista que leva para o Itaguaré. Apertamos o passo porque logo logo iria escurecer e não sabíamos onde encontraríamos lugar para acampar. Ir até o Itaguaré estava fora dos planos, pelo horário e porque todos que trombamos na travessia falaram que iriam acampar por lá. Tinha muita, mas muita gente mesmo fazendo essa travessia!

Depois de mergulhar nos capins-elefante voltamos a subir subir subir, até encontrarmos com uma galera que avistamos ao longe. Havia espaço para acamparmos junto deles mas eles já dera a direta “tem outra área de camping daqui uma meia hora”.  Então, apertamos o passo de novo e fomos mata a dentro, com os bambuzinhos querendo nos engolir. Às 18hr chegamos em uma área muito boa, plana e meio protegida do vento, exatamente no meio da travessia, segundo o gps. Se a gente conseguisse ver algo, seria uma vista muito bonita! À noite, com a iluminação da lua cheia, pudemos enxergar o contorno do Itaguaré, imponente logo ali ♥

Fomos fazer o delicioso rango tradicional do Clóvis, que eu comi pra caramba. Os meninos ficaram meio emcabulados no começo, mas o lombriguento do Thiago não resistiu. Conforme fomos falando o que tinha, só escutava um “O que?? Cuscuz marroquino com frango e batata??? 😯 ” e o barulho da barraca se abrindo rapidamente. Na segunda leva, “O que?? Agora com parmesão??  8O” hehe Mas o que marcou a noite mesmo foi a lanterna com luz noturna do Clóvis, mano, todo mundo tremeu quando ele surgiu do nada com aqueles dois olhos vermelhos na escuridão. Só dava os meninos “Biluuuu”

 

Terceiro dia – Subir e descer o Pico do Itaguaré

Pra variar acordamos e tudo estava branco. Saímos às 8:30 e o que estava pela frente achei o pior dos três dias. Tivemos que andar muito dentro de mata, e os bambuzinhos carnívoros querendo nos devorar dificultavam a caminhada. Havia muita rocha para subir, e a mata estava molhada, então fomos ficando enxarcados. Uma vez ou outra encontrávamos fezes cheias de pêlo e o Clóvis ficava atentando “tem fezes fresquinhas de onça”. Ele sempre me ataca com essa e deixa eu ir andando na frente! Também passamos pela famosa gruta! Não é nada demais. Foi assim até chegar no Itaguaré, por volta das 11:30hr. Como esperado, estava tudo branco. Ficamos em dúvida entre subir ao cume ou seguir pro ponto de água, optamos pelo segundo pois mau enxergávamos o que estava na nossa frente, lá no cume não seria diferente.

No riachinho, em meio a uma mata, comemos algo e voltamos a andar, próximo às 12:30hr. Logo encontramos novamente a Letícia, o grupo dela acampou no Itaguaré e eles estavam voltando do cume, e como imaginamos, não deu para ver nada. O jeito é repetir a travessia 🙁 Conforme fomos descendo o tempo foi abrindo, quase chorei quando vi tudo isso de verde!

Logo se chega na trilha em meio a mata atlântica e nunca mais se sai dela! Essa descidinha finalizou com meus joelhos! O que eles não doeram até ali, tiraram o atraso. Quando fomos nos aproximando do final, começaram a surgir araucárias na mata e terminamos em um rio, no qual as mulheres daquele grupo que cruzamos no acampamento no dia anterior estavam tomando banho rs

Chegamos no ponto de encontro com o resgate pouco antes das 15hr, o horário combinado, e logo o xará do Clóvis chegou. O retorno para o alojamento base foi lindíssimo! Aquela paisagem do interior mineiro, cheia de sítios e as montanhas de fundo ♥ De lá conseguimos ver a névoa que cobria o topo da serra onde estávamos, o resto estava azulzinho azulzinho 🙁 Foi então que o motorista disse que por ali em maio é sempre assim, que o ideal é ir em junho e julho, apesar do frio, e que agosto/setembro é ruim por causa do sol, como eu já fui lá em setembro, sei bem do que ele estava falando 😯

Então é isso  🙂 Começamos com algumas coisas dando errado, aos poucos foram se ajustando, fiz novas e boas amizades 😀 O tempo realmente não ajudou, mas tá valendo também! É uma paisagem diferente, não deixa de ser bonita e deixa a trilha com um ar de suspense! Você passa por muitos trechos estreitos entre rochas, então a chance de rasgar a roupa e a cargueira é grande, eu desfiz o suporte de água da Monstra por conta disso :'(

Eu estava bem tensa para essa travessia, nunca havia feito caminhada com mais de dois dias e muito menos nesse nível de dificuldade; ainda estava com a patela do joelho esquerdo incomodando, e por vezes pensei em desistir, achando que iria empacar o grupo. Mas o apoio do Clóvis mais uma vez foi fundamental, a Letícia também deu uma boa força lá no Pico da Bandeira, pois conforme eu ia cansando lá, ia pensando em desistir dessa travessia… Por fim eu fui de boa, claro que não é uma travessia fácil, mas fui com pessoas que andavam no mesmo ritmo que eu e isso a tornou muito mais agradável! Deixar de ser sedentária e criar coragem para fazer musculação fez toda a diferença para esse “bom” desempenho!

Agradecimentos ao Clóvis pelo apoio de sempre, à Bru pela força, literalmente, para ajudar a arrastar a Monstra pra lá e pra cá, aos meninos pelo suporte na trilha! Valeu pessoal 😀


 

Dificuldade: Alta! Com certeza iniciantes não devem fazê-la, a não ser que você seja uma personal trainner que pratica cross fit todos os dias e tenha espírito de moleca, como foi o caso da Brunielli 😉

Picos: Marins (2420m), Marinzinho (2432m), Itaguaré (2308m – divisa SP/MG)

Local: entre as cidades de Piquete/MG, Passa Quatro/MG e Cruzeiro/SP

Tempo: 3 dias

Distância caminhada: aprox 25km

Guia: não contratamos pois o Clóvis é fera em navegação e levou um gps. Mas para grupos sem muita experiência em montanha e sem gps, com certeza devem contratar guia especializado nessa travessia!

Gastos: combustível e pedágio, supermercado, diária de R$15 do estacionamento no alojamento, PF R$18 no alojamento, resgate em van R$260 divididos em grupo até 8 pessoas. Como deixamos o carro no Marins e terminamos no Itaguaré, é necessário contratar o “resgate” para te levar de volta ao carro, o trajeto leva em torno de 40 minutos. Quem nos resgatou foi o pessoal do alojamento.


Há tempos que o Pico dos Marins tem se tornado badalado, como ali não é um parque, não há controle da quantidade de pessoas que estão indo e nem orientação sobre lugares de acampamento, onde fazer nr 1 e 2, por isso o riachinho está tão contaminado, e é notável como grande parte das pessoas que vão para lá não são da pegada de montanha. Na primeira vez que fui, havia um colchão de espuma no cume. Dessa vez, demoramos para conseguir dormir porque havia um pessoal conversando bem alto em um pico próximo de nós até altas horas, da onde estávamos escutávamos som vindo do cume, sim, alguém levou caixa de som para lá! O mais gostoso de se dormir em montanha é o silêncio, que não tivemos dessa vez. Na volta, logo ao lado do riachinho podre haviam umas 10 garrafinhas de água vazias jogadas ali. Gente, não precisa ser montanhista para saber que isso é feio né? É realmente uma pena ver como a galera está destruindo o Marins, que nem é tão fácil de se chegar! 🙁

185 Replies to “Travessia Marins x Itaguaré – Uma das mais difíceis da Serra da Mantiqueira”

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