Ilha do Cardoso – Núcleo Marujá

O Parque Estadual da Ilha do Cardoso é um parque estadual paulista localizado no litoral sul do Estado de São Paulo, na divisa com o Estado do Paraná, sendo 5% da sua extensão total ocupada por comunidades caiçaras e indígena, e pela infraestrutura criada para a implantação do parque. Atualmente, as atividades turísticas se concentram nos Núcleos Perequê e Marujá. Contudo, as localidades de Itacuruçá, Praia do Pereirinha, Enseada da Baleia, Pontal do Leste, Foles, Cambriú e Praia do Ipanema apresentam também infra-estrutura para recebimento de visitantes. A Comunidade do Marujá é a mais organizada para receber os turistas. Eles possuem um site da comunidade com informações sobre hospedagem e passeios: www.maruja.org.br

 

Como chegar
 

Fomos até Cananéia e deixei o carro no “estacionamento” do Fábio. Nessa cidade não há estacionamento fechado, a maioria das pessoas deixa na rua mesmo, o posto de combustível da cidade cobra R$30 a diária para você deixar por ali e eles “olharem”. Logo que cheguei a mãe do Fabio veio fazer a propaganda: R$15 a diária e aceitei. Na rua paralela ao porto, entre na rua do posto de combustível e siga mais ou menos até a metade, numa casa azul de esquina à esquerda, o Fabio tem um cercado com corrente e deixa os carros ali na calçada, com guarda 24hr.

Problema do carro resolvido, agora vinha o próximo: barco até a Ilha do Cardoso, é a única forma de chegar à Ilha. Só a ida para o núcleo Marujá, os barqueiros cobram de R$250 a 400 para até seis pessoas, aí vai da gente conseguir mais galera pra ratear, e dessa forma leva em torno de 50 minutos para chegar na Ilha de voadeira. A outra opção é ir de escuna a R$30, que leva 3-4hr para chegar na ilha (tudo isso mesmo!), mas ela só sai umas duas vezes por dia e precisa de no mínimo 20 pessoas. O jeito foi fazer amizade 🙂 Saímos pelas ruas tentando arrumar mais gente, mas não foi o suficiente pra uma escuna. Um barqueiro conseguiu reunir alguns turistas e fomos em nove em uma voadeira que custou R$60 por pessoa (cade o rateio de R$400???). Ano passado quando fiz a ciclotravessia do Lagamar (veja o relato aqui, vale a pena!) pagamos R$50 por pessoa em um barco com 5 pessoas e mais 3 bikes, inflação né! Mas foi o que conseguimos, e, como já era depois do almoço, corríamos o risco de não conseguir outro barco para atravessar ou de ter que ratear só entre nós duas mesmo. No barco conhecemos um casal composto por uma argentina e um paulista, outro casal (Cristiano e Alessandra) e sua amiga Aline, minha xará, e mais duas moças, uma delas também Aline. É muita Aline para um barco só  😯

***Dica: preste atenção no trajeto até a Ilha pois você pode ver golfinhos!

Onde ficar

A intenção era acampar para economizar, então levamos toda a tralha para dormir e rango pra cozinhar. Chegando no trapixe, logo à esquerda tem uma pousada amarela que não lembro o nome. Fiquei nela quando fiz a Ciclotravessia Lagamar, mas dessa vez os preços de pousada e camping estavam mais altos: camping a R$30 e pousada a R$50 (com banho quente e café da manhã nesse caso). Decidimos dar uma procurada em outros lugares quando veio um funcionário do parque indicar a pousada da sogra dele, resolvemos procurar. Seguindo à esquerda do trapixe, passando o bar onde há um dos forrós e o único restaurante desse núcleo, andando mais um pouco se chega na “Pousada Robalão”. Camping com banho gelado a R$10 e pousada com banho quente a R$25 com café da manhã, por esse preço ficamos na pousada mesmo!

Vergonha alheia: nessa pousada pedi para guardar algo na geladeira. A pia para lavar a louça era fora da casa, e estava um pouco escuro. Vi algo retangular e comprido à direita, e me aproximando vi que tinha algo retangular, menor, com um visor de vidro acima do outro retangulo, pensei “uma geladeira e um tipo de forno”. Estava eu brigando para abrir a “geladeira” quando a dona da casa veio “moça, esse é o banco de baterias! A geladeira fica aqui….”…. A geladeira ficava na sala!!! E o menino deles quase morreu engasgado de tanto rir.

 

Onde comer

A única opção de refeição na ilha é um “coma a vontade por R$25”, e como só tem peixe de mistura, preferi levar o feijãozinho de sempre e fiz o rango dentro do quarto da pousadinha. De noite fomos no forró que tem ao lado direito do trapixe, mas como não estava muito agitado não ficamos até tarde. (Depois descobrimos que o fervo começa beeeem tarde!). Não há mercado na ilha, então leve o que achar necessário.

 

O que fazer

Praia e forró

A praia do Marujá é realmente uma delícia! Como ela é bem comprida, então por mais que a ilha esteja cheia de turista, ela sempre estará vazia e você poderá ter seu tempo de sossego. Uma volta no costão, indo para a esquerda da praia, com certeza não pode faltar, a vista de lá é linda! Só precisa ter cuidado para não escorregar nas rochas. À noite costuma rolar um forró nos dois bares que há no núcleo, onde a turistada vai em peso!

Pedalar

Para quem gosta de pedalar, é possível alugar bikes com os moradores e pedalar até o Pontal Leste, no qual, do outro lado do braço do mar que forma ali, já está a Ilha do Superagui, pertencente ao estado do Paraná. Para chegar nele basta ir até a praia Marujá e seguir para a direita. Recomendo esse passeio para quem é acostumado a pedalar, pois deve dar em torno de 60km ida e volta e é uma região desértica, então não tem como pedir ajuda caso alguém passe mau. Caso pegue um dia de vento, isso vai dificultar bastante o pedal. Deve-se levar água e lanche.

Ciclotravessia ou travessia a pé das ilhas

Quem realmente gosta de pedalar, deve apostar na ciclotravessia do Lagamar, a qual atravessa as Ilhas do Cardoso, Superagui, Peças e Mel. Esse trajeto eu conto em outro relato (clique aqui) e ele é realmente incrível! Há quem faça esse mesmo percurso a pé.

Travessia das piscinas da lage

A travessia das piscinas da lage é feita atravessando a praia do Marujá e da Lage, e, após uma trilha em mata, se chega nas piscinas de águas claras. Clique aqui para ler o relato dessa travessia.

Passeio de barcos

O passeio para a Cachoeira Grande é feito com voadeira até a entrada de uma trilha curta. Clique aqui para ver os detalhes.

Um passeio interessante e com paisagens bonitas é o de voadeira até a Vila de Ararapira, uma vila fantasma abandonada desde 2010, que está situada no PN do Superagui. Ainda não fui nela mas passei próximo durante a ciclotravessia do lagamar. A ilha conta com diversas trilhas e cachoeiras e no Centro de Visitantes no Núcleo Marujá é possível contratar esses passeios com guias, o valor costuma ser bem justo. Vale dar uma passadinha lá para conferir 🙂

Sobre o vilarejo de Ararapira, texto extraído do Wikipedia:

Ararapira é o nome de um vilarejo histórico localizado no município de Guaraqueçaba, litoral norte do Estado do Paraná. São José do Ararapira foi uma das vinte vilas fundadas pela coroa portuguesa na então Capitania de São Paulo no século XVIII. Sua população era constituída em parte por índios de uma antiga aldeia e, em parte, por moradores de áreas rurais mais próximas. Ararapira localizava-se num ponto estratégico: meio caminho entre Iguape e Paranaguá, passagem obrigatória de todos os viajantes entre São Paulo e Curitiba. Entreposto, Ararapira cresceu e prosperou com o comércio da região até meados do séc XIX, enquanto Iguape era um porto mais importante e com mais movimento do que Santos. No século XX, as estradas pelo interior absorveram todo o tráfego entre São Paulo e Curitiba. O canal do Varadouro foi aberto na década de 40 e o regime das marés continuou roubando as casas da vila. São José do Ararapira é hoje uma vila abandonada, mas seu cemitério continua sendo usado pelas comunidades da região.

 


**Dica: não esqueça de levar repelente! Quando fui era lua cheia, o que fez a ilha ser infestada por porvinha (parecem umas pulgas voadoras! Eu achei que fossem pulgas mesmo no começo rs). Na volta só se via os turistas deformados de tanta picada 😯

 

 

 

 

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