Ciclotravessia do Lagamar – Pedalando nas Ilhas do Cardoso, Superagui, Peças e Mel

Essa ciclotravessia de 80Km em dois dias (eu acabei pedalando 100Km, conforme conto no relato!) é ótima para quem quer sossego, pedalar por praias desertas, se hospedar em vilarejos calmos e ver golfinhos! Embora a maioria diga que é difícil pedalar em areia, eu, que não tenho costume de pedalar nem em asfalto, não achei complicado. Claro que não pedalava em areia fofa, ia sempre beirando a água. O problema é quando se pega dias com vento forte contra, mas quando eu fui estava sem vento.

O que é o Lagamar

O Lagamar faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape, tendo como componentes os Complexos Estuarinos de Iguape e Cananéia (SP) e o Complexo Estuarino de Paranaguá (PR). A região se destaca pelas belas paisagens naturais terrestres e marinho-costeiras, incluindo montanhas, estuários, ilhas e praias com florestas de planície e encosta, restingas, dunas e manguezais, abrigando assim, muitas espécies da fauna e flora. Não só de riquezas naturais é composto o Lagamar, nesta região ainda vivem populações caiçaras que mantém viva sua cultura local e conhecimentos tradicionais secular como o fandango e a pesca artesanal com cerco-fixo”. (Fonte: http://www.wikiaves.com.br/areas:pe_do_lagamar_de_cananeia:inicio)

 
Primeiro Dia – Cananéia / Ilha do Cardoso
 
Desde que conheço o Vinicius, há uns quatro anos, ouço falar dessa tal “ciclotravessia do lagamar”, mas só em novembro/2014 é que consegui ver com meus próprios olhos as belezas que ele comentava! Fomos eu, minha parceira Letícia e seu namorado Pedro no feriado da consciência negra. Quatro dias são suficientes para fazer os deslocamentos bem sossegado e aproveitar bem as praias!

Encontrei com eles na rodoviária de Registro/SP às 13hr, aguardando o ônibus para Cananéia que estava com três horas de atraso! O que rendeu uma conversa (monólogo) com uma Curitibana que também estava esperando o mesmo ônibus. Essa é a segunda curitibana tão simpática e que fala pra caramba que conheço, a primeira é a Elisane! Chegamos em Cananéia às 14hr.

 A travessia até o Cardoso com voadeira leva 40min, mas quem vai de escuna leva de 3-4hr! O trajeto é lindo, com vários pássaros, peixes pulando em volta do barco e claro que não poderiam faltar os golfinhos, para a loucura da Letícia rs

Chegando ao núcleo Marujá por volta das 16hr, fomos em busca de uma pousada. Como não queríamos carregar muito peso, resolvemos ficar em pousada mesmo. Como poderiam haver imprevistos, não deixamos nada reservado. Logo na entrada do núcleo há algumas pousadas/campings e o preço varia se o banheiro é coletivo ou por quarto. Pegamos uma bem bacana, logo na entrada com banheiro coletivo por R$40,00 com café da manhã (bem servido!) Ainda deu tempo de dar um tchibum e umas pedaladas pela Praia do Marujá, abençoado seja o horário de verão quando se tem a oportunidade de aproveitá-lo em uma praia, e não na sala de casa!
 
De noite fomos a um barzinho ali perto que rola um forró tocado por caras cheios dos dreads, num estilo bem Bob Marley. Tentamos ficar para ver a banda, mas já eram mais de 23hr e nada! Como teríamos que acordar cedo no dia seguinte, deixamos para a próxima 🙁
 
  
Segundo Dia – Ilha do Cardoso e Ilha do Superagui – 50Km pedalados
 

Depois de tomar um belo café da manhã, começamos a pedalada às 08:30. Fomos em direção ao Pontal Leste onde se atravessa para a Ilha de Superagui. O tempo estava muito gostoso, um calor leve, com o sol escondido atrás das nuvens e o vento suave, facilitando a pedalada! Haviam nos dito que por ali havia um ponto em que, se chegássemos muito tarde, a maré estaria alta e não iríamos conseguir atravessar com a bike, sendo necessário contratar um barco. Por volta das 10:30hr demos de cara com algo parecido com essa descrição e tentamos atravessar… sem chance, estava muito fundo!

Fomos contornando esse braço do mar e encontramos um fiscal de pesca que iria atravessar para o outro lado da margem e nos ofereceu carona. Claro que aceitamos! Ele falou que ali não tem jeito de atravessar a pé esteja a maré alta ou baixa. Então não sei qual que é esse pedaço que nos falaram! E ali do outro lado já era a Ilha de Superagui com o vilarejo de Ararapira. Quando voltei da viagem fiquei sabendo que nesse ponto havia um vilarejo fantasma, bastava pedalar mais um pouco para dentro do continente… ficou pra próxima também 🙁
 

Aqui vai um pouco da história do vilarejo tirado do Wikipedia:

Ararapira é o nome de um vilarejo histórico localizado no município de Guaraqueçaba, litoral norte do Estado do Paraná. São José do Ararapira foi uma das vinte vilas fundadas pela coroa portuguesa na então Capitania de São Paulo no século XVIII. Sua população era constituída em parte por índios de uma antiga aldeia e, em parte, por moradores de áreas rurais mais próximas. Ararapira localizava-se num ponto estratégico: meio caminho entre Iguape e Paranaguá, passagem obrigatória de todos os viajantes entre São Paulo e Curitiba. Entreposto, Ararapira cresceu e prosperou com o comércio da região até meados do séc XIX, enquanto Iguape era um porto mais importante e com mais movimento do que Santos. No século XX, as estradas pelo interior absorveram todo o tráfego entre São Paulo e Curitiba. O canal do Varadouro foi aberto na década de 40 e o regime das marés continuou roubando as casas da vila. São José do Ararapira é hoje uma vila abandonada, mas seu cemitério continua sendo usado pelas comunidades da região.

Ficamos muito felizes em termos a sorte de arranjar uma carona bem quando chegamos ali, mas mau sabíamos o que estava pela frente… Logo encontramos um sr. no vilarejo que nos disse que não iríamos conseguir chegar até a praia novamente por causa das raízes das árvores, que era melhor contratarmos um barco mas que os pescadores não iríam fazer um preço camarada. Depois de botar o terror na gente, resolvemos encarar e fomos pedalando. Logo demos de cara com o nosso terror: andamos em torno de 1Km carregando as bikes por cima das imensas raízes ou por dentro da água. Por ali haviam vários barcos com japoneses pescando, todos assistiam nosso perrengue e ninguém se prontificou a nos ajudar. Valeu camaradagem!!!

Estando novamente na praia, seguimos pedalando, pedalando, pedalando… e eu tendo miragens ao longo do caminho… Sim! Estava doidona com o cansaço… não sei porque estava na cabeça que ia ver uma espécie de porto e ao longe avistava os mastros dos barquinhos que nunca existiram! Mas, de pedalada em pedalada, fomos nos aproximando da entrada para a Vila de Superagui. O caminho é totalmente deserto, portanto tem que levar uma reserva de água e lanche. Encontrávamos de vez em quando algum pescador, regiões com lixo, carcaças de tartarugas e muuuuuitos carangueijos.

Quando completamos 48Km pedalados, encontramos um cicloturista chamado Fábio que estava terminando a expedição de 2000Km pedalados pelo litoral, depois de um mês. Ele nos disse que exatamente ali era a entrada para a Vila de Superagui. Não há nenhuma informação no local indicando que se deve entrar ali. No dia em que fui, haviam uns troncos com uma bóia pendurada, conforme visto ao fundo da foto a seguir:

Seguindo o caminho, caímos numa região de mata e após 4Km, umas 14hr, chegamos na Vila! A praia é muito linda, sossegada, cheia de barquinhos e gaivotas! A Letícia até encontrou um barco dela rs

 
 No término da trilha havia a pousada “Sobre as Ondas” e fomos perguntar o valor, meio cabreiros pois estava com jeito de ser caro, já que era uma belezinha! A diária de quarto com banheiro era R$50 e com banheiro coletivo R$30, ambos com café da manhã. Pegamos o de R$30 e como os outros hóspedes estavam nos de R$50, saímos no lucro tendo dois banheiros só para nós! 

O resto do dia foi só para aproveitar o calor ameno naquele lugar lindo numa pousada super aconchegante! A janta pedimos na própria pousada por R$15 o prato feito. Cuidado com as águas vivas e caravelas! Andando pela praia haviam várias mortas por ali e a Le foi queimada por uma água viva enquanto estávamos na água!

 

Terceiro Dia – Ilha das Peças / Ilha do Mel – 30Km pedalados

Acordei umas 7hr e saí para ver o tempo, que estava nublado e com uma chuva fininha. De longe vi a Letícia com a câmera na mão tirando inúmeras fotos. Tinha certeza do que estava acontecendo: mais golfinhos! Eles estavam bem pertinho 😯 Tínhamos decido ir para a Ilha das Peças antes de ir para a Ilha do Mel. Conversando com os nativos, conseguimos que um pescador nos atravessasse para a ilha logo em frente por R$10 por pessoa. Combinamos de nos encontrar as 8hr mas chegamos lá as 9hr rs

Começamos a pedalar na Ilha das Peças às 10hr. É uma ilha bem rústica, com uma mata escura, e a chuvinha deixava tudo meio sombrio 😯  De longe avistávamos pontinhos pretos que a Letícia insistia que eram pinguins! Mas eram gaivotas… depois eu li que realmente costuma ter pinguins por ali em algumas épocas do ano… então tá!

História da Ilha das Peças:

Este pedaço de paraíso está localizado na baía de Paranaguá, a 2h30 de barco. Atualmente moram na Vila das Peças em torno de 350 pessoas e sua principal atividade econômica é a pesca artesanal. A ilha possui uma escola estadual e municipal de 1° grau e um supletivo de 2° grau, vários estabelecimentos comerciais, uma pousada, seis restaurantes, uma igreja católica, uma igreja Batista e uma Assembléia de Deus, um posto de saúde, um campo de futebol, duas associações de mulheres, onde funcionam as cozinhas e os restaurantes comunitários, uma associação de moradores e uma associação de condutores de ecoturismo. Possui energia elétrica e água encanada tratada. O nome de Ilha das Peças teve origem devido ao tráfico de escravos. Escravos vindos do Norte eram trazidos para trabalhar no Sul, mas como este comércio era proibido, os navios não podiam chegar até Paranaguá com a “carga” de escravos a mostra, então, as ‘peças’, como os escravos eram chamados naquele tempo, eram deixados em uma ilha na entrada da Baía de Paranaguá. As ilhas eram lugares estratégicos para os comerciantes, pois ficavam a uma boa distância da cidade, tinham bom lugar para desembarque e os escravos poderiam ser escondidos até que se concluísse a negociação em Paranaguá. Nos últimos anos tem aumentado consideravelmente o interesse pelo turismo ecológico na vila, através da prática de observação de Boto-cinza e de espécies ameaçadas de extinção, como o papagaio da cara roxa. (Fonte: http://www.ecologicatur.com.br/ilha-das-pecas/)

  

Fomos contornando pelo lado esquerdo até encontrar o vilarejo, uns 20Km depois. Ali novamente pedimos para um pescador nos atravessar para a Ilha do Mel, o que custou R$50,00 dividido entre nós três. A travessia é rapidinha, demorando menos de 10 minutos com lancha. A vista da Ilha do Mel que se tem daqui é maravilhosa! E tão encantadora quanto é a cadeia de montanha do Paraná que se avista perfeitamente dali. Um desses picos é o Pico do Paraná, o qual ainda está na minha lista

História da Ilha do Mel:

A Ilha do Mel possui quatro pontos turísticos de destaque: ao norte a Fortaleza, no centro a Brasília e o Farol das Conchas, e ao sul a Encantadas. O turista dispõe de pousadas e pequenos restaurantes. A ilha tem cinco vilarejos: Fortaleza, Nova Brasília ou Brasília, Farol, Praia Grande e Encantadas. Não há ruas ou estradas, só trilhas. A implantação de geradores de energia elétrica, em 1988, deu início a atitudes que hoje se tranformaram em preocupação pela preservação da ilha e sua principal atração: a natureza. Em 1998, através de cabo submarino, a luz elétrica passou a ser fornecida do continente, vinte e quatro horas por dia, seguindo também, para a Ilha das Peças e para a Ilha de Superagüi. A travessia para a Ilha do Mel é feita com segurança, por barcos que saem de Pontal do Sul (30min) ou de Paranaguá (1h45min). Existem linhas regulares diariamente entre as 8h00 e 17h00, mas também podem ser fretadas embarcações em outros horários. Durante a temporada, os barcos partem a cada 30 minutos, e fora de temporada a cada hora cheia. Existem dois pontos de desembarque: Encantadas e Nova Brasília (o qual atende também à Praia Grande, Farol e Fortaleza). Existe também uma linha regular de barco entre Encantadas e Nova Brasília, que parte a cada hora. (É bom confirmar esses horários nos trapixes, pois tivemos problemas com esses horários disponíveis na internet, como contarei mais pra frente). (Fonte: Wikipedia)

Mapa da Ilha do Mel (Retirada do site da prefeitura de Paranaguá)

 

  Descemos na praia da Fortaleza com suas construções incríveis! Paramos para conhecer a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres.

História da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres:

Na primeira metade do século XVII, ocorreu a ocupação portuguesa das terras do litoral e primeiro planalto paranaense. Os portugueses estabeleceram-se aqui com os objetivos principais de escravizar indígenas e encontrar metais preciosos. A partir de 1718, corsários franceses e outros navios estrangeiros invadiam a Barra de Paranaguá em busca de descanso, riquezas e contato com os índios. Desta maneira, os portugueses decidiram construir uma fortaleza para resguardar a Baia de Paranaguá dos ataques forasteiros. Assim, foi encarregado o Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza para a construção do forte na ilha. Foi então determinado o local no Morro da Baleia e sua planta estratégica. (Fonte: Ilha do Mel Online)

 

Não demoramos muito e seguimos a pedalada, pois para atravessar para a praia Encantadas havia um trecho de rochas que, se chegássemos tarde, iria estar alagado ficando impossível a travessia, ainda mais com as bikes! Seguimos então para a praia Brasília debaixo de uma chuva fina, e ao longe já se avistava o Farol das Conchas.

A praia Brasília é uma praia badalada, com pousadas e restaurantes caros, sendo a mais conhecida a Astral da Ilha, quando passamos por ela estava rolando um rock ao vivo bem bacana. Mais a frente paramos para conhecer o Farol das Conchas. O Pedro ficou descansando na praia e eu e a Le subimos para ver a paisagem lá de cima.
 

História do Farol das Conchas:

Para modernizar a navegação comercial brasileira o Imperador D. Pedro II ordenou, em 1870, o início das obras, realizadas por uma empresa inglesa sob a supervisão do engenheiro Zózimo Barroso. Os materiais foram importados da Escócia, país que detinha na época a tecnologia mais avançada no ramo. Inaugurado em 1º de abril de 1872 e localizado no alto do Morro das Conchas, pode ser avistado de quase todos os pontos da Ilha do Mel. O farol é constituído por torre inteiramente de ferro, possuindo altura de aproximadamente 18m. Funciona desde 25 de março de  1872. (Fonte: Ilha do Mel Online e Wikipedia)

 Voltamos buscar o Pedro e as bikes e seguimos para o terror dessa viagem! Logo a frente haviam as temidas rochas para se chegar na praia Encantadas. Tivemos que escalar e se jogar por elas carregando as bikes, e para variar a minha deu trabalho por causa do peso! Para nossa sorte, e azar deles, haviam dois rapazes fazendo o mesmo trajeto e acabaram nos ajudando na travessia. Depois de um bom tempo e uns ralados chegamos por fim na Praia do Belo, mas ainda havia o Morro do Sabão para atravessar, para o meu desespero! Eu já estava esgotada e carregar aquele chumbo morro acima não me parecia agradável, mas o terror mesmo foi descer com ela, pois o morro faz jus ao seu nome!
 

Depois fiquei sabendo que o  barco que faz a travessia da praia Brasília para Encantadas de tempo em tempo custa apenas R$10,00. Ou seja, peguem o barco quando forem de bike! Terminado esse perrengue o jeito era fazer uma parada na Praça de Alimentação e repor as energias.

Por ali haviam uns caras com mochilas enormes e o Pedro reparou que nelas estava escrito que eles eram de um grupo de vôo de parapente de Sorocaba! Lembrei que o Amarildo, que trabalhou comigo, era integrante desse grupo, e pensei como seria legal rever ele por ali! Não deu dez minutos e ele me passa por ali! 😀  Ele me convidou para finalmente fazer o tão desejado vôo, mas que antes precisava encontrar um amigo que morava por ali que tinha o equipo para vôo duplo, pois ele e os meninos estavam com o equipo individual. Então combinamos de nos encontrar novamente às 18hr para ver se ia rolar!  😉

Fomos então atrás de uma pousada/hostel com preço bacana, o que é difícil por ali! Encontramos pousadas com quartos por 300$, 200$ e finalmente uma bem bacana que cobrava 50$ por pessoa com café da manhã. Era a pousada do Ade, de um argentino muito engraçado e de sua esposa paranaense que nos receberam muitíssimo bem! Site da pousada: www.pousadadoade.com.br 

Arrumamos as coisas e fomos dar um tchibum na praia Encantadas! O que me deixou maravilhada nessa praia era estar de boa na água e de repente ver um navio com conteiners da Hamburg Süd saindo por detrás de um morro, passando beeeeem pertinho dali! Isso foi demais!

Por ali há uma trilhinha para a Gruta das Encantadas, vale a pena ver!

História da Gruta das Encantadas:

Situada na parte sul da Ilha, é o patrimônio natural mais importante da Ilha do Mel. O morro da Gruta, formado por um tipo de rocha chamado migmatito é dividido por um veio de rocha negra, o diabásio. A Gruta se formou pela ação do mar sobre o diabásio, menos resistente que o migmatito. Para facilitar o acesso, foi construída uma passarela que leva até a sua entrada. (Fonte: Wikipedia)

 Às 18hr vi o parapente branco e laranja pousando próximo à praça de alimentação, sabia que era o Amarildo e fui lá ver se rolava o meu vôo enquanto a Le e o Pedro subiam esse morro da gruta. Para meu azar, ele não encontrou o amigo com o equipo duplo 🙁 Ficou mais uma vez para a próxima! Mas nesse momento tive a oportunidade de conhecer a Adriana, sua esposa, uma querida!

Com o dia acabando, voltamos para a pousada. Os donos nos chamaram para um show de reggae com uma banda famosa de Curitiba que iria ter bem pertinho dali, mas preferímos ficar de boa na pousada mesmo, trocando idéia com o James (segundo ele, não o 007!!!). James era um senhor inglês de 60 e poucos anos que não parava de zuar com a gente porque iríamos embora no dia seguinte por causa do trabalho na segunda, enquanto ele era aposentado e não precisava se preocupar com isso. “Desculpa, sou aposentado, não preciso trabalhar!”, era a frase que mais escutamos nessa noite!

 
Quarto Dia – Pontal do Sul / Praia do Leste / Curitiba – 20Km pedalados
 

Planejamos a volta da seguinte forma: pegar o barco para Paranaguá no trapixe da Encantadas e de lá ir para Curitiba. O horário que os nativos nos passaram desse barco era às 7:30, e confirmamos na internet. Então levantamos bem cedo, o argentino improvisou um café da manhã com o que ele tinha para nos servir, já que não tinha onde comprar pão àquela hora, e fomos para o trapixe. 

Chegando lá, descobrimos que, para nosso azar, o horário do barco para Paranaguá era meio-dia aos domingos, e a passagem que comprei de Curitiba para Sorocaba era às 13:30, sendo o próximo somente às 20:30. O jeito então foi pegar o barco para Pontal do Sul às 8hr por R$15,00 e lá pegar um ônibus para Paranaguá. 

Em Pontal havia um circular para Paranaguá às 8:30. Chegamos lá 8:35, fomos correndo para a rodoviária mas avistamos o ônibus no meio do caminho. Demos sinal com a mão, o motorista com cara de bost…, cara de pessoa gentil, parou com muito custo e disse que não iria nos levar com as bikes, mesmo estando o ônibus praticamente vazio. Fomos até a rodoviária e realmente não tinha jeito! O ônibus rodoviário dali para Paranaguá, que poderia levar as bikes, estava lotado, tendo vaga só no das 14hr. Então o rapaz sugeriu que fôssemos até Praia do Leste, a próxima cidade a 20Km, e pegar o ônibus para Curitiba das 11:00hr. Sem opção, compramos as últimas três passagens (ao menos uma vez tivemos sorte nesse dia!), e pedalamos em beira de estrada sem acostamento até Pontal do Leste. Eu que nunca andei de bike nessas condições, fiquei apavorada com os caminhões passando raspando e com os carros fazendo ultrapassagem no sentido contrário jogando o carro pra cima de mim.

Às 10:40hr chegamos na rodoviária, e como se já não bastassem os stresses até então, descobrimos que teríamos que pagar R$15,00 de taxa de excesso de bagagem por causa das bike e isso ainda se elas coubessem no bagageiro! Depois do Pedro discutir com o responsável, inutilmente pedindo para ver a norma que exigia essa taxa, já que nos outros ônibus não tivemos essa despesa extra, pagamos a taxa, couberam as bikes no bagageiro, e o ônibus chegou com meia hora de atraso, para o meu desespero! 

Enfim cheguei na rodo de Curitiba 13:25hr e saí voando para pegar a passagem no guichê. Chegando no embarque, novamente a enxissão de saco por causa da bike, dessa vez porque ela não estava em bolsa própria. Mas depois daquela choradinha básica, o mocinho liberou. Às 20hr chego em Sorocaba, depois de cuidar da Gabriela que veio sentada comigo, uma mocinha (pequena no tamanho e na idade) que estava grávida e veio vomitando desde a serrinha de Juquiá, em paralelo com outra senhora que estava sentada por ali.
 
As dores de cabeça que tivemos nessa trip foram em função das bikes, como deu para perceber ao longo do relato… a dica é já ir sabendo que vai ter que encarar esses contratempos, ir com tempo de folga e comprar as passagens com antecedência… e antes entrar em contato com a viação dos ônibus pedindo um documento que descreva as normas para transportar a bike e levá-lo impresso!

Ao todo foram 100Km pedalados (sem contar as partes que tivemos que carregar as bikes!), sendo 50Km entre Cardoso e Superagui, quase 20Km na Peças, mais de 10Km na Mel e 20Km para pegar o busão na Praia do Leste.

 

Caminho pedalado! Da Vila do Marujá na Ilha do Cardoso até a Praia Encantadas na Ilha do Mel, fora o trecho de Pontal do Sul até Praia do Leste!

 

 Mais uma vez gostaria de agradecer a minha querida parceira de perrengues Letícia, obrigada pelo apoio durante a viagem, que sem dúvida foi maravilhosa, essa viagem que estava em meus sonhos só se tornou realidade por sua causa e pela Luciana Domingues, que forneceu todos os detalhes da viagem e ótimas dicas!!!
 

 

Guia: não é necessário

Transporte: ônibus + barco + bike (óbvio rs)

Duração: 4 dias

DespesasCustos $
Barco Cananéia - Ilha do Cardoso60
Barco Ilha do Superagui - Ilha das Peças10
Barco Ilha das Peças - Ilha do Mel15
Barco Ilha do Mel - Paranaguá53
Ônibus Paranaguá - Curitiba25
Pousada na Ilha do Cardoso40
Pousada na Ilha do Superagui "Sobre as Ondas"30
Pousada na Ilha do Mel "Pousada do Ade"50
TOTAL283

Esses são os custos básicos da ciclotravessia. Adicione a esses custos os gastos com refeição e com passagem/combustível desde a cidade de origem até Cananéia e de Curitiba até a cidade de origem. Nessa tabela considerei os custos indo da Ilha do Mel para Curitiba via o Porto de Paranaguá. Como descrevi no relato, não consegui vaga no ônibus de Paranaguá para Curitiba, então fui via Pontal do Sul e Praia do Leste, mas esse trecho não é o mais viável.

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